sábado, 19 de abril de 2008

“ O JOGO DO PODER ”



Qual o papel , ou melhor, a importância da ética no mundo atual ... as contra-facções para-religiosas que se mobilizam politicamente dentro de um sistema absolutamente plutocrático, a favor de causas pretensamente humanitárias. Tudo isso ainda no final guerra fria. Uma comédia onde os atores principais são as duas super-potências – com um roteiro imprevisível escrito por um parlamentar americano negligente e a União Soviética e seu sistema de valores desumanos como escada.

O interessante porém é que o maior combustível de tudo isso é uma boa garrafa de whisky; seja um tradicional Bourbon ou Scotch – ele destila através de personalidades as mais excêntricas vulnerabilidade diante da possibilidade onírica do poder ilimitado. No caso do parlamentar Jones: o de transformar uma verba de US$ 5 milhões para guerra do Afeganistão em US$ 1 bilhão, até a saída nada honrosa da ainda União Soviética.

Socialites desocupadas, parlamentares fanfarrões, ditadores e tiranetes, mostram um lado mais uma vez escatológico – porque sempre uso esse termo em filmes americanos -, porém o tom dessa vez, para o bem ou para o mal, é mais irônico, contudo nem um pouco cínico. Tem o mérito de colocar na ribalta, o lado histriônico que a maioria do mundo já percebeu nesse imbrólio que é a política externa americana; o teatro das suas pretensões globais.

Enfim, o filme é uma fábula real de toda política internacional desde o pós-guerra até os anos 80। Esta é a sua verve, propositalmente maniqueísta quanto àquela velha pergunta se os fins justificam os meios... o que é fundamental para se compreender o epicentro das articulações dos acontecimentos contemporâneos, tendo que como trilha sonora os discursos caducos e anacrônicos de um personagem que tem todos os atributos fanfarrônicos do nosso protagonista.

O final reserva entretanto uma reflexão interessante, quando em palavras textuais do próprio parlamentar, ele diz que tinham feito tudo certo, pena que erraram no finalzinho. Futuro ou Retrospectiva ? Essa resposta é fundamental para se entender o modelo de comunicação global e suas diversas facetas dialógicas. Internet, ONG’s e a grande rede de interesses que os permeiam.

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