terça-feira, 5 de agosto de 2008

Batman

Batman poderia se enquadrar, principalmente para aqueles desavisados, como um filme espetacular recheado de efeitos especiais, caracterizações bizarras e o altruísmo desinteressado do herói da estória ... História, no caso, se formos observar tudo o que a cerca e a contemporaneidade deste filme – sem dúvida, o de melhor argumento entre todos os da série. Aliado a isso vai resgatando o espírito dos quadrinhos de Frank Miller, o niilismo que é o avesso do sonho urbano – de uma comunidade imune ao caos que a cerca.

Muitas são as novas perspectivas apontadas pelo filme. Primeiro, sua plataforma é uma cidade real, formada por pessoas normais – Nova York, Chicago etc. Segundo, fica muito clara a relação que o roteiro estabelece com o presente, pela onisciência que permeia toda a narrativa do filme sobre os acontecimentos ainda vivos do 11 de setembro.

Porém, existe um aspecto outro aspecto, que é o eixo da narrativa – a discussão sobre a instituição “herói americano”. Nesse sentido, o filme é muito rico e apela para caráter esquizóide de tal definição – Batman procura uma personalidade, Gotham City procura uma Cara, Harvey Dent é um carreirista falastrão ou um cidadão que se dispõe a se sacrificar pela sociedade. A população mostrada como uma massa manipulável pela mídia – o Coringa -, tudo isso forma um painel hiper-realista do momento americano.

Mas o filme tem o mérito de resolver essas questões de uma forma positiva, ao deixar espaço para a reflexão com diálogos pontuais interessantíssimos entre seus protagonistas. E, ao contrário do que se diz, a participação do Coringa não ofusca a de Batman, e sim a complementa, e os mostra ambos como os elementos que carregam as idéias do filme. A direção tem o grande mérito de conduzir o andamento do filme como uma sinfonia.

E, no fim, você tem de volta o pathos do herói - que é também o inimigo público, tão presente no imaginário do americano, como a entidade que confronta o Estado sem confrontar o Status-quo -, e o resgate dos tipos soturnos que habitavam os quadrinhos originais de Frank Miller, herdados de uma tradição que vem desde Hawthorne e Edgard Allan Poe.

Por Antonio Henrique Garcia

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Ciclo Stanley Kubrick

“ O Lutador ”

Em “ O Lutador ”, Kubrick usou suas experiências como jornalista, para fazer um filme quase documental em que acompanha a trajetória de um lutador de boxe, nos momentos que antecedem o combate. Foi um filme sem muita repercussão, que basicamente retratou os bastidores e a preparação de um lutador antes de entrar na arena – assim como o fizeram séculos antes os gladiadores. Embora com uma outra roupagem e regras mais civilizadas, no combate moderno a morte também poderia ser um dos possíveis desfechos ...

Entretanto, o que chamaria a atenção da crítica neste filme, não seria esse aspecto de crônica marginal. Mas a forma como o diretor conseguiu evidenciar a plasticidade da luta, acompanhando de perto todos os seus movimentos, criando uma atmosfera fria e dramática do evento. Enquadrando a perspectiva sob a ótica da platéia, sutilmente contraposta à figura do homem – ao mesmo tempo Quixotesca e Titânica.

Enfim, “O Lutador” chamou a atenção pela sua fotografia privilegiada, provavelmente fruto da experiência que Kubrick adquirira sobre essa técnica, em sua breve e precoce passagem como jornalista e fotógrafo.

Este foi seu primeiro filme. Contudo não foi ainda um longa metragem.

Seu próximo filme foi um longa “Noir”, de produção independente e atores desconhecidos, sobre a relação entre um lutador de boxe fracassado e uma dançarina da noite. Nesta película, o lutador veio a se tornar também um assassino, já demonstrando seminalmente a queda por temas que revelassem a perversão como uma extensão da sociedade civilizada.


“ Spartacus ”

Seu primeiro filme da fase holywoodiana. Reuniu grandes atores como Lawrence Olivier, Kirk Douglas, Charles Laughton, Peter Ustinov etc., entretanto já aí ele não demonstrou se sentir muito à vontade com o Mainstream.

À abordagem dos grande épicos preferiu focar os personagens, praticamente dividindo-os entre aqueles cuja violência era a única linguagem que conheciam – os gladiadores -, e que não apresentavam grandes nuances psicológicas, e a elite romana, retratada como casta de valores decadentes, que vivia urdindo planos de tomada do poder sob a égide do “Senado Romano”, uma instituição falida como representação popular. Os Patrícios eram manipulados pelos Senadores, em seus projetos de poder.

Mais uma vez Kubrick recoloca o tema da perversão como fenômeno social, uma disfunção da civilização. Ao se rebelar, aqueles que eram objeto da crueldade patrocinada pela casta da nobiliarquia da república, catalisam a insatisfação latente de um império decadente. Entretanto, como um pathos constante na obra de Kubrick, aquilo que parece estar controlado por mecanismos remotos, de repente aflora de forma selvagem e bárbara.


“ 2001 – Uma Odisséia no Espaço ”

À época considerada uma obra que sintetizou o limiar de uma nova era – pela justaposição inicial a tudo o que havia sido feito até então, através da metáfora das descobertas datadas da pré-história do homem ... com um corte abrupto para esse mesmo homem, no Século XXI . Uma nova perspectiva do que viria a ser a Ficção Científica Moderna, realmente sua linguagem foi precursora de muitos outros filmes que o sucederam.

Outro aspecto importante, o Estético. A existência da gravidade como elemento real, que mantém uma ordem universal, foi magistralmente expressada espatifando o simulacro, através do qual o espaço infinito era reduzido a um mundo de quimeras, muito mais assimilado ao inferno subterrâneo de Dante.

Porém, a grande revolução apontada pelo filme foi o advento da Era da Informação, onde as relações humanas agora eram permeadas pela interferência da máquina. Não é à toa, que um computador dita o destino de toda a tripulação da nave. Este dispositivo neuro-cibernético é propositadamente assemelhado ao comportamento e às reações do homem, nominável, que veio a se tornar um organismo auto-destrutivo – mote observado em toda a obra de Kubrick, em que, mesmo não sendo de “esquerda”, são as contradições do próprio sistema que o levam a um processo de decadência. Em uma análise mais acurada dos temas recorrentes nos seus filmes, essa decadência nunca origina uma nova perspectiva mas desemboca em um movimento catártico, desprovido contudo das teses da terapeutica psicanalítica tradicional, entretanto muito crítico do viés psico-social da sociedade capitalista puritana.

Embora frio, é um marco do cinema: cheio de significações que mostram a transformação tecnológica, em andamento, da era da industrial para a era da informação, e suas conseqüências antropológicas – porque este sempre o foco de Kubrick, o homem.


“Laranja Mecânica”

Laranja Mecânica pode até parecer em seu texto, um filme que captava o prenúncio do movimento “Punk” em sua virulência urbana. Entretanto, foi muito além em suas pretensões temáticas, e, sobretudo, estéticas.

O protagonista longe de ser um proto-punk, não tem motivação alguma para agir como age. Nem crítico das instituições, iconoclasta, ou de origem proletária, antes de tudo ele parece viver num limbo social, o qual lhe permite ser apenas o que é – um produto de alguma ideologia alienígena totalitária.

A geografia e geometria das cenas se parecem com “2001...”, com ambientes claustros, que sugerem uma forma entrópica de enquadramento, com distorções de imagem e travellings ... portas que são a separação entre o devaneio e a realidade – um traço lúdico, talvez influência da fábula de Lewis Carrol – Alice, no País das Maravilhas.

Mais uma vez, a temática da perversão como um sub-produto social é o que sobressai na narrativa de Kubrick ... entretanto dessa vez ele incorpora como pano de fundo, sutilmente, a tessitura de uma superestrutura jurídico-política totalitária, seguindo uma perspectiva, sobretudo na época em que foi feito o filme, observada em outros filmes como “1984”, e mais tarde “Brazil, o Filme”... O que, do ponto do vista da economia política da reforma do Estado, na Inglaterra, era um assunto bastante em voga, que veio a culminar com a desestatização de muitas empresas inglesas na governo Margareth Tatcher, “ A Dama de Ferro ” ... mais uma vez a vida imita a arte, ou, pelo menos, há uma relação de imanência entre ambas.

Outros filmes : "Glória feita de sangue", "Lolita", "Dr. Fantástico" e "O Iluminado".
Por Antonio Henrique Garcia

sexta-feira, 25 de julho de 2008

HANCOCK

Assisti a um filme muito legal esta noite, em uma das salas do CINEMARK ...

Hancock é sem dúvida um herói diferente. A saída para sua genealogia foi bastante interessante, com uma narrativa que tem o grande mérito de ser incidental, lastreada em um argumento extremamente conciso e um pathos, que tem como principal elemento o conflito entre tempo e história. Isto decorre tanto de citações que beiram o épico, quanto da justificativa mitológica encontrada como um cascalho de diamante bruto.

Resulta assim, um filme de super-herói plenamente fundamentado esteticamente. A dicotomia entre homem e mito é dinâmica, contrapondo eternidade e mortalidade. Diria que é um Highlander mais real - série de filmes protagonizados por Cristopher Lambert, sobre o herói mitológico das terras altas da Escócia, que viaja no tempo.

A relação entre os dois protagonistas, mesmo monossilábica, é significativa. Representa a luta existencial entre possibilidade e impossibilidade, ou seja enquanto um não tem projeto e é um ser marginal, apartado, creio que baseado no conceito de autores e diretores clássicos americanos como Howard Hawks e Budd Boeticker, do herói solitário; o outro, abdica de seus poderes para se encaixar em uma vida padrão com família etc. Existe uma nuance radical nessa confrontação, enquanto um representa o caos, o outro pretende modificar o mundo pela difusão do amor e da compreensão.

Alguma relação com a política externa americana ?

Há ainda uma galeria de tipos que beiram a caricatura, que seria talvez a visão que os deuses – gregos, romanos, nórdicos etc. – teriam dos humanos.

O resto, são efeitos especiais, porém justificadamente utilizados na composição do filme, consolidando o seu discurso. A música, provavelmente segue a linha de Will Smith, com muitos rap’s e outros estilos neo-urbanos que denotam uma atmosfera conflagatória à narrativa.

Filme estrelado por Will Smith e Charlize Theron. Vale pelos ícones, e ambos o são. Vale a pena assistir, como entretenimento e mais ... Todo filme tem algo além, subliminar ou espetacular !

Por Antonio Henrique Garcia

quinta-feira, 17 de julho de 2008

DREAMGIRLS

A saga de garotas da periferia de Detroit em busca do sucesso como cantoras de Rythim&Blues. Entretanto, muito mais do que isso elas buscam se libertar daqueles grilhões que as mantêm como objeto sexual, com todas as sujeições que isto representa. Elas buscam a realização total como mulheres e cantoras, o que no universo em que se passa a narrativa desemboca em um complexo de preconceitos e sentimentos encarniçado das relações humanas, em um contexto, apesar da época do filme – anos 70 -, ainda muito machista e chauvinista.

O história do filme retrata também a forma selvagem como eram tratados os negócios, mesmo dentro da comunidade negra. Homens e Mulheres eram manipulados pelos magnatas das gravadoras - Motown etc -, servindo aos seus propósitos mercadológicos, os quais, em se tratando de uma população cuja música “Gospel” era algo quase sacro, se conflitavam com uma raiz cultural extremamente presente no cotidiano da população negra.

O filme emana muito sentimento, catarse, e a emancipação por parte das protagonistas de um sistema que reproduz a divisão de classes, valor social dos brancos, no âmbito da sociedade negra.

Entretanto, apesar do seu realismo, não deixa de ser um musical que mistura muito drama. O que o faz uma combinação explosiva, além disso composto por um elenco bastante afinado, principalmente porque em sua grande maioria por negros. Jamie Fox, Beyoncé, Eddie Murphy – com uma caracterização muito representativa do títere, de caráter fraco -, encabeçam um grande elenco.

Acho que aqui no Brasil, tivemos um filme com a mesma temática, que foi o “Meninas do ABC”, que trata dessas questões como sobrevivência, busca pelo sucesso, afirmação social, realização pessoal etc.

Enfim, um grande filme, contudo disponível atualmente apenas nas locadoras.

Por Antonio Henrique Garcia

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Cinema, Estrutura e Entretenimento

Marshall Mcluhan credita ao cinema, a grande forma de comunicação de massa desde a invenção da tipografia. Entretanto, acrescenta uma vantagem que a linguagem escrita não pode dar conta: a simultaneidade descritiva. Sendo assim, faz uma relação entre literatura e cinema; os romances teriam monopolizado a imaginação da idade moderna, inaugurada entre outros por Gutemberg.Esta perspectiva entretanto o faz associar tal expressão, como característica de sociedades letradas. O que explica que, os primeiros filmes de diretores como D.W. Griffith e Rene Clair tenham seguido a linha do Romance documental ou social, como por exemplo as novelas de Dickens. Linearidade que não seria possível no cinema russo de então, por se tratar esta de cultura de tradição oral. No entanto, não seria essa apenas a razão de tal diferenciação. Na Rússia, Eisenstein fazia experimentos com outros tipos de manifestação, como o Teatro, por exemplo, justapondo ao texto imagens. Era, então, a época do Dadaísmo e do Construtivismo - este basicamente relacionado com a arte como objeto de popularização. Mais tarde, o próprio Mcluhan emancipa o cinema das letras, proclamando sua modernidade nas obras de Chaplin, tanto estética - associando sua movimentação a um balé -, quanto no seu conteúdo crítico - Tempos Modernos, por exemplo. Como se vê, o cinema foi se nutrindo de mais e mais formas de arte. O som, entretanto, veio a ser um problema ... para todos. O filme passou então a ser objeto de um aparato industrial, que mudou seu formato e as reações a ele. Forjou-se então uma nova linguagem que incorporaria a articulação sonora. E mais tarde, a Televisão. Produto industrial, ainda não de todo digerido até os nossos dias ... o filme é um artefato cultural prenhe de significações subliminares, mesmo como forma de entretenimento ... ele, através dos seus ícones e signos, molda comportamentos e consciências.

Por Antonio Henrique Garcia

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Os Reis da Rua

“Os Reis da Rua” bem que poderia ser um chavão aplicável à relação atual entre a Polícia e a População Brasileira, contudo é o título de um filme cujo argumento é a protagonização de personagens que têm um tom trágico que perpassa por toda a história da civilização moderna, encenada desde antiguidade clássica até nossos dias – a complexa imbricação entre o Bem e o Mal, Criador e Criatura.

Uma direção que focaliza a densidade dos personagens principais – seres profundamente voláteis -, no entanto não deixa de cair naqueles velhos estereótipos do gênero: como os homens são durões em situações limite – onde o protagonista está sempre em confronto com a morte ...

Esse o maior pecado do filme, apelo exagerado à violência explícita, o que o faz parecer apenas mais um filme de polícia e bandido. A Sétima Arte definitivamente passa por um período de pobreza cultural, de superficialidade filosófica, e por fim banalização das coisas – produto da ação do homem que sobrevém sobre ele mesmo, com seus artefatos milagrosos e letais ... Isto emprobece o conflito tão esperado do filme entre pai e filho, mentor e pupilo ... A necessidade de contextualização da trama, legítima em si, também caiu na banalização do discurso do dinheiro e poder – a corrupção como um mal da alma, algo que corrói dolorosamente valores éticos e morais, foi um mero um recurso retórico.

Os personagens, em decorrência estão um pouco fakes. Estranho, ver o Forrest Withaker com aquela caracterização, e previsível o formato do Keanu Reeves, como um caubói moderno. Entretanto, ambos os atores têm carisma e carregam o filme.

O desfecho foi completamente previsível – vamos dizer lacônico – para o que se pretendeu mostrar, o confronto entre gigantes, diria mesmo entre mitos da História e do Teatro. Mais uma vez Los Angeles e suas colinas que descortinam o olimpo foram o pano de fundo e a grande atração, talvez o cenário tenha sido o maior apelo deste filme.

Por Antonio Henrique Garcia

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Billy "The Kid" Wilder

O que acontece quando vc lê a biografia de alguém que ajudou a construir essa indústria cinematrográfica que existe hoje, cujos atores, apesar de transnacionalizarem-se, não mudaram nem um pouco. É fácil criticar desconhecendo todos os matizes de um processo, que é a mais nova das grandes artes, o cinema ou a película, ainda encantador, inebriante, revelador ...

Estou falando de um realizador de filmes, roteirista e diretor, cujas obras resistem ao tempo. Billy Wilder. Segunda geração de cineastas europeus a vir para os Estados Unidos, compôs juntamente com outros de seus contemporâneos a grande era do cinema americano do entre guerras, com filmes cuja temática digredia sutilmente do sistema utilitarista que imperava na época, rico em contradições maravilhosamente exploradas.

Inicialmente, com comédias cujo argumento era sempre o do desencontro e do conflito jocoso, entretanto como ele mesmo revela quando roteirista - a tônica na época, era sempre estar à frente do público com situações insinuantes e inteligentes e diálogos que extrapolassem o senso comum. Nesse tempo a Paramount, tinha uma equipe de 179 roteiristas, entre eles F. Scott Fitzgerald. Todos comandados por Ernst Lubitsch, então o grande Diretor do Estúdio.

Não tardaram a surgir filmes mais rebuscados e conflituosos, com uma grande direção de arte herdada do Cinema Expressionsta Alemão. Cidaddão Kane, de Orson Welles, por exemplo. Billy Wilder, realizou outros tantos como Sabrina, Irma la Douce, Crépusculo dos Deuses, Fedora, Farrapo Humano, Testemunha de Acusação com uma atmosfera sofisticada e humana, que revelavem já traços de uma densidade psicológica proveniente de sua origem européia.

A sua dimensão como motor dessa indústria nos permite não nos atermos a aspectos datados, até porque a ideologia não era o seu forte ... e hoje acho que estava certo। A arte transcende esses limites materiais. O quê ... que permitiu-lhe enveredar por comédias de situação deliciosas recheadas de ícones, e algumas delas tendo como cereja a sensualidade indefectível de Marilyn Monroe ... talvez o avesso do clichê loira burra. Entretanto, não podemos deixar de registrar que "Quanto mais Quente Melhor, o Pecado Mora ao Lado, Sabrina etc.",pertencem a uma outra época do pós-guerra, ávida não pelo sublime mas por sublimar seus impulsos, é o "American Way of Life" ... acho que há nesses filmes algo marcusiano da sexualidade irreprimível, da rendição dos demais objetos ao principal - a libido.

Esse viés subliminar como conceito inclusivo de indústria cultural provavelmente tenha subconscientemente drenado movimentos sociais como os Beats, Contra-cultura, Paz e Amor, Hippies; talvez os tenha também contaminado com o niilismo da geração do entre guerras e também do pós-guerra - que Kubrich representou de forma inequívoca em "Dr. Strangelove", ou através dos impulsos perversos de uma sociedade doente em "Laranja Mecânica". O estranho é que é difícil estabelecer uma relação temática ou estética entre eles, mas sem dúvida há um elemento linguístico que tem em comum o texto transgressor. Subliminar em um, expresso em outro.

Segundo o próprio Billy Wilder, logo que chegou aos Estados Unidos ainda embevecido com aquele mundo novo, Douglas Fairbanks Jr. lhe disse à propósito ...
" isso é só por cima ...". Wilder aparentemente adotou a linha instucional, ficando sempre à sombra do Mainstream Hollywoodiano.