quinta-feira, 17 de julho de 2008

DREAMGIRLS

A saga de garotas da periferia de Detroit em busca do sucesso como cantoras de Rythim&Blues. Entretanto, muito mais do que isso elas buscam se libertar daqueles grilhões que as mantêm como objeto sexual, com todas as sujeições que isto representa. Elas buscam a realização total como mulheres e cantoras, o que no universo em que se passa a narrativa desemboca em um complexo de preconceitos e sentimentos encarniçado das relações humanas, em um contexto, apesar da época do filme – anos 70 -, ainda muito machista e chauvinista.

O história do filme retrata também a forma selvagem como eram tratados os negócios, mesmo dentro da comunidade negra. Homens e Mulheres eram manipulados pelos magnatas das gravadoras - Motown etc -, servindo aos seus propósitos mercadológicos, os quais, em se tratando de uma população cuja música “Gospel” era algo quase sacro, se conflitavam com uma raiz cultural extremamente presente no cotidiano da população negra.

O filme emana muito sentimento, catarse, e a emancipação por parte das protagonistas de um sistema que reproduz a divisão de classes, valor social dos brancos, no âmbito da sociedade negra.

Entretanto, apesar do seu realismo, não deixa de ser um musical que mistura muito drama. O que o faz uma combinação explosiva, além disso composto por um elenco bastante afinado, principalmente porque em sua grande maioria por negros. Jamie Fox, Beyoncé, Eddie Murphy – com uma caracterização muito representativa do títere, de caráter fraco -, encabeçam um grande elenco.

Acho que aqui no Brasil, tivemos um filme com a mesma temática, que foi o “Meninas do ABC”, que trata dessas questões como sobrevivência, busca pelo sucesso, afirmação social, realização pessoal etc.

Enfim, um grande filme, contudo disponível atualmente apenas nas locadoras.

Por Antonio Henrique Garcia

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