sexta-feira, 25 de julho de 2008

HANCOCK

Assisti a um filme muito legal esta noite, em uma das salas do CINEMARK ...

Hancock é sem dúvida um herói diferente. A saída para sua genealogia foi bastante interessante, com uma narrativa que tem o grande mérito de ser incidental, lastreada em um argumento extremamente conciso e um pathos, que tem como principal elemento o conflito entre tempo e história. Isto decorre tanto de citações que beiram o épico, quanto da justificativa mitológica encontrada como um cascalho de diamante bruto.

Resulta assim, um filme de super-herói plenamente fundamentado esteticamente. A dicotomia entre homem e mito é dinâmica, contrapondo eternidade e mortalidade. Diria que é um Highlander mais real - série de filmes protagonizados por Cristopher Lambert, sobre o herói mitológico das terras altas da Escócia, que viaja no tempo.

A relação entre os dois protagonistas, mesmo monossilábica, é significativa. Representa a luta existencial entre possibilidade e impossibilidade, ou seja enquanto um não tem projeto e é um ser marginal, apartado, creio que baseado no conceito de autores e diretores clássicos americanos como Howard Hawks e Budd Boeticker, do herói solitário; o outro, abdica de seus poderes para se encaixar em uma vida padrão com família etc. Existe uma nuance radical nessa confrontação, enquanto um representa o caos, o outro pretende modificar o mundo pela difusão do amor e da compreensão.

Alguma relação com a política externa americana ?

Há ainda uma galeria de tipos que beiram a caricatura, que seria talvez a visão que os deuses – gregos, romanos, nórdicos etc. – teriam dos humanos.

O resto, são efeitos especiais, porém justificadamente utilizados na composição do filme, consolidando o seu discurso. A música, provavelmente segue a linha de Will Smith, com muitos rap’s e outros estilos neo-urbanos que denotam uma atmosfera conflagatória à narrativa.

Filme estrelado por Will Smith e Charlize Theron. Vale pelos ícones, e ambos o são. Vale a pena assistir, como entretenimento e mais ... Todo filme tem algo além, subliminar ou espetacular !

Por Antonio Henrique Garcia

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