sexta-feira, 13 de junho de 2008

Os Reis da Rua

“Os Reis da Rua” bem que poderia ser um chavão aplicável à relação atual entre a Polícia e a População Brasileira, contudo é o título de um filme cujo argumento é a protagonização de personagens que têm um tom trágico que perpassa por toda a história da civilização moderna, encenada desde antiguidade clássica até nossos dias – a complexa imbricação entre o Bem e o Mal, Criador e Criatura.

Uma direção que focaliza a densidade dos personagens principais – seres profundamente voláteis -, no entanto não deixa de cair naqueles velhos estereótipos do gênero: como os homens são durões em situações limite – onde o protagonista está sempre em confronto com a morte ...

Esse o maior pecado do filme, apelo exagerado à violência explícita, o que o faz parecer apenas mais um filme de polícia e bandido. A Sétima Arte definitivamente passa por um período de pobreza cultural, de superficialidade filosófica, e por fim banalização das coisas – produto da ação do homem que sobrevém sobre ele mesmo, com seus artefatos milagrosos e letais ... Isto emprobece o conflito tão esperado do filme entre pai e filho, mentor e pupilo ... A necessidade de contextualização da trama, legítima em si, também caiu na banalização do discurso do dinheiro e poder – a corrupção como um mal da alma, algo que corrói dolorosamente valores éticos e morais, foi um mero um recurso retórico.

Os personagens, em decorrência estão um pouco fakes. Estranho, ver o Forrest Withaker com aquela caracterização, e previsível o formato do Keanu Reeves, como um caubói moderno. Entretanto, ambos os atores têm carisma e carregam o filme.

O desfecho foi completamente previsível – vamos dizer lacônico – para o que se pretendeu mostrar, o confronto entre gigantes, diria mesmo entre mitos da História e do Teatro. Mais uma vez Los Angeles e suas colinas que descortinam o olimpo foram o pano de fundo e a grande atração, talvez o cenário tenha sido o maior apelo deste filme.

Por Antonio Henrique Garcia

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