Zumbilândia. Terra de zumbis. Aqui no Brasil, a palavra zumbi tem tem uma alusão histórica libertária, revolucionária – entretanto, não vou me dar ao trabalho de procurar no dicionário. Creio que a palavra tem a mesma raiz etimológica em ambas as línguas, embora uma significação fundamentalmente diversa.
Não è à toa, que essa significação é explorada pelo filme. Zumbilândia, sem dúvida, para lá e além de sua estética “trash”, pretende ser uma crítica à sociedade de consumo americana, contudo de modo absolutamente americano. Tem um discurso antropofágico, entretanto sem propor nada ... recaindo sempre na doutrinação escatológica do fim dos tempos – compreendendo-se o tempo e o espaço dentro de seus limites.
O texto apesar de primário, tem momentos divertidos. O roteiro fragmentado é um traço proposital e comum ao estilo “trash”, que se calca muito mais em cenas impactantes do que em sequências convencionais, e suas imagens evocam risivelmente aspectos patéticos da cultura americana, zombando da sua visão ufanista e utilitária.
Por falar nisso, a atriz Emma Stone merece atenção, transitando em versões Pin-up e Ninfeta. Woody Harrelson, sempre compondo tipos toscos, elementos intestinos do puritanismo messiânico, que pululam no imaginário popular da América. O protagonista, e em vários momentos narrador da trama, é um tipo interessante – parece carregar todas as neuroses e fobias de uma sociedade em permanente tensão, alguém que transita entre a maioria e a minoria, criando normas de sobrevivência para si - um anti-herói misantropo.
Bill Murray faz uma pequena e inócua aparição, e Abigail Bresling continua sendo a adorável garotinha de "A Pequena Miss Sunshine".
É um filme, todavia, que tem um argumento radicalmente contemporâneo ... a supervalorização ao limite das coisas e objetos consumados e sua equiparação ou capacidade de substituição do ser humano.
Por A.H.Garcia
Nenhum comentário:
Postar um comentário