Filme de 1960, dirigido por James Brooks, que assina o roteiro também, com Burt Lancaster e Jean Simmons, cujo argumento é um tema bem atual – o mercado da fé. O texto trata o assunto com algum realismo, atributo de um enredo bem sustentado por um roteiro muito bom, que discute o papel dos pregadores populares no crescimento da indústria da fé.
Esse debate ocorre em duas vertentes. Uma delas, o jornalista que chegou a ganhar um Pulitzer - uma das poucas referências temporais - e acompanha as caravanas, o qual tem uma visão cínica sobre o espetáculo que cerca as pregações e os artifícios utilizados em tais eventos. A outra, é a elite pastoral – os pregadores formados em universidades, de diversas igrejas, que repudiam os métodos utilizados por aqueles mais populares, a quem atribuem a corrupção do sacerdócio e questionam os seus resultados.
Entretanto, o forte apelo popular não resulta apenas dos métodos derivados do Goospel – ou sua adaptação à população branca suburbana, ressentida com a perda dos valores tradicionais da América, em franca expansão do seu modelo consumista.
O irônico é que a técnica empregada por esses novos mercadores da fé, assemelha-se às mesmas técnicas do consumo de massa, e a fé um produto vendável – ou um sub-produto cultural de uma população alienada. O ritual representado pelos cultos resulta na catarse coletiva daquelas pessoas torturadas entre a moralpuritana e a realização dos seus desejos - sublimados e escamoteados pela cultura do consumo.
A personagem da pregadora representa bem essa ambiguidade oscilando entre a viver uma vida plena - sexualmente - ou manter-se casta e protegida das desilusões do mundo, capitulando ao final quando opta por morrer no incêndio de seu templo. E seus elementos parecem convergir para um grande vácuo existencial.
Burt Lancaster é sem dúvida um dos maiores atores de sua geração, e sua atuação é fenomenal. Com esse filme ele veio a ganhar a Oscar de Melhor Ator Principal.
Não é um filme com uma grande produção. Não existem nuances destacáveis quanto a arte, cenários, fotografia. Mas, a grande contribuição que ele dá é mostrar a América suburbana e seu interior, de forma objetiva e com o requinte de ser uma ficção.
Por A.H.Garcia
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