Melhor filme de Tarantino. Ele é um dos poucos cineastas hoje em dia reconhecido por uma Direção Autoral. É claro que se falar de Produção, Direção, Roteiro, Montagem em um processo industrial como o que é atualmente a produção de filmes, não é a mesma coisa de décadas atrás, onde a mão do realizador interferia em todo o processo de criação do filme. Entretanto, isto posto, o gênio de Tarantino sobressaí-se ... seja pela sua extravagância, virulência, banalização etc, seja pelo seu estilo personalíssimo, calcado em vasta e variada iconografia, no qual pontua sua veia Expressionista no tratamento estético que dá aos filmes.
Dito isto, é que consideramos ser este o seu melhor filme.
A narrativa é dividida em partes que se entrelaçam intrínsecamente formando um todo orgânico ... É incrível que mesmo um texto que lida com o absurdo, o onírico e o farsesco, possua atributos de um realismo impressionante. Aí, entra a marca do diretor: sua virulência e contundência parecem ter ganhado novos contornos – se tornaram tão instintivas quanto inteligentes –, a elas somaram-se o perfeito enquadramento dos atores, diálogos cortantes, rápidos e pontuados por um non sense absoluto, e o argumento explorando a grandiloquente e caricata retórica nazista, de tal forma que poderiam ser comparados a uma sinfonia Wagneriana.
A direção de arte e cênica também excelentes. Cenários e planos abertos em proporções precisas.
A utilização, em grande parte, de atores locais, deu mais densidade dramática aos acontecimentos do filme. Brad Pitt deu um show como o rastejante e infame caçador de cabeças nazistas, compondo-o com a cara do Poderoso Chefão e sagacidade do homem sulista dos Estados Unidos.
O final catártico mereceu palmas. Pelo menos da platéia em que me encontrava.
Por Antonio Henrique Garcia
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