Filme baseado em uma peça do grupo Teatro de Arena, de autoria de Gianfrancesco Guarnieri, sobre a vida cotidiana de família de operários, em um contexto – no caso específico do filme, e do momento histórico de seu lançamento – que sinalizava o ocaso de um período autoritário e, por isso mesmo, de recrudescimento das relações sociais, e o impacto desse momento nas relações familiares dos seus elementos, cada um a seu modo premido pelas condições materiais da vida proletária.
O pai, operário metalúrgico engajado na luta sindical e com uma visão combativa baseada na luta de classes. O filho, pelego, com uma visão mais pragmática sem nenhum apego pela ideologia que alimentava o movimento sindical como meta superior, que transcendia intelectualmente a aceitação da condição de massa reprodutora de um modo de produção – o da propriedade privada, da mercantilização da força de trabalho e seu exército de reserva, e da mais valia como conceito absoluto.
Não assisti à peça. Assisti ao filme, entretanto não me lembro bem da trama. Acho que, ao final, pai e filho se conciliam, contudo não sei se pela conversão do segundo ou pelo abrandamento das posições do primeiro. Aliás, essa era uma tendência à época – a abertura política era um fato, assim como a revitalização das instituições e dos partidos proscritos, e a volta dos exilados – e o filme tem como pano de fundo o movimento do Sindicato dos Metalúrgicos, talvez o acontecimento que mais representou a síntese e transformação do papel da esquerda no Brasil, acompanhando o que acontecia no resto do mundo.
A ambientação é feita em uma vila de operários, situada no ABC paulista, e quase toda ação reflete as contrafrações do pensamento político, representadas pelas posições de pai e filho. Contudo, a mãe tem a importante função mediar e humanizar os conflitos.
Um filme marcante – pela luz que lançou sobre centro nervoso do capitaismo brasileiro e suas mazelas -, com direção, se não me engano, de Leon Hirzman, e um elenco que contava com Fernanda Montenegro, o próprio Gianfranceso Guarnieri e Carlos Alberto Ricelli, entre outros, que soube colocar – pela mão do diretor – de forma contemporânea os conflitos ideológicos de então.
Acima de tudo, um filme que vale a pena se revisto pela sua factualidade histórica. E, também, por sua representatividade como produção dramatúrgica e fílmica, que transpõe para as telas as alegrias e as frustrações de gente comum, e seu cotidiano, que formam a massa de operários e trabalhadores em processo de emancipação.
Por A.H.Garcia
2 comentários:
Infelizmente eu n alcancei esse período, mas é bom saber q existem pessoas cultas como vc. Parabéns! Débora
Pena, que vc nao o alcançou. Eu peguei o seu final, mas deu para sentir toda aquela efervecência ...
Em todo caso, obrigado!
Postar um comentário