Um filme brilhante e correto. Brilhante porque seu minimalismo no tratamento dos eventos, na composição dos personagens, dá-lhes alma – indivíduos de carne e osso considerados contaminadores das instituições sociais e dos pilares do sistema, em um momento de afirmação do estado sobre os entes federados, e suas idiossincrasias coletivas. Chega a ser portanto, um filme histórico, pelo pano de fundo que se assoma de forma concreta, mas natural. Qual a relação deste mito com a afirmação do capitalismo selvagem nos Estados Unidos ?
O elenco excelente, mesclando nomes de peso com atores desconhecidos, em que pontua sem nenhuma dúvida a fenomenológica presença Johnny Depp, representando de forma magistral o papel de John Dillinger, indivíduo proscrito pelos sistemas de controle social, que encarna através do crime a subversão dos valores mais prezados pela vertente econômica da puritana sociedade americana.
O diretor Michael Mann conseguiu compor um universo extremamente intimista, e uma direção discreta e correta, sem valorizar excessivamente as cenas de impacto. Entretanto, outro grande mérito na concepção desse filme, é a direção de arte – a reconstrução da época foi perfeita, a ponto de não ser um elemento destacado mas um elemento a ser destacado.
Uma trilha sonora para não se esquecer, com Lady Day flutuando como uma deusa do apocalipse. A atmosfera passa longe do gênero noir tradicional, embora beba das suas fontes mais fundamentais – o amoralismo e o marginalismo.
O final, rápido e capital. Sem nenhuma concessão melodramática - o evento final coroa a trajetória conturbada de Jonh Dillinger.
Por A.H. Garcia
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