sexta-feira, 6 de março de 2009

" FORÇA POLICIAL "

“ Força Policial ” é o título em português. Em inglês, “ Pride and Glory ”. Já ouvi alhures alguma comparação com “ Tropa de Elite ”, que não vi ainda.

É um filme que traduz a visão entrópica no tratamento das questões sociais, carregada de signos que sempre permearam a cultura, e, mais especificamente, o cinema americano desde John Ford, Howard Hawks etc, do invidualismo, e, por extensão, do herói solitário, este uma instituição americana inexorável até mesmo para um filme que tem a pretensão de retratar a vida dos descendentes de irlandeses que quase se confunde com a polícia de Nova York – NYPD.

Há algumas referências à cultura gaélica, entretanto bem superficiais, assim como a abordagem de sua influência nas relações familiares. Entretanto, de uma forma geral ressai a brutalidade característica dessa população urbana, cujo o único espaço que lhes coube foi aquele – temidos entre criminosos, subalternos para o resto da sociedade.

As mulheres têm o seu lugar recatado e passivo, em uma comunidade de policiais, irlandeses e de outras etnias, às quais também é reservada essa tarefa de limpadores da cidade.

A costura da trama resulta um texto correto, que convence. O mote do filme se expressa na patogenia de uma sociedade esquizóide, que é representada pelo paradoxo do policial Jimy Egan, protagonizado pelo excelente Colin Farrel, um ser sem qualquer controle sobre seus impulsos violentos, com requintes sádicos, capaz de, ao mesmo tempo, de amar esposa e filhos com uma veemência incondicional, ou pelo menos pensar dessa forma.

O triunvirato John Voight, Edward Norton e Colin Farrel dá a consistência dramática do filme,
que flerta com o espirito trágico.

A direção equilibra bem a tensão até o desfecho do filme, que resgata a atmosfera social optando por um final catártico e grandiloquente. A fotografia sempre privilegiando um tom outonal, e a atmosfera noir que o filme reboca, contribui no resultado final.

Por Antonio Henrique Garcia

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