Primeiro, uma homenagem à Grande "Cachorro Grande", em indelével momento no programa Estúdio Showlivre da TV Cultura... Tinha que ser, né.... Antídoto contra a ignorância, contra a loucura, os delírios, a patologia dessas personas diabólicas, perversas... Contra a representação do MAL à que acima se assiste... e, por fim, contra a nossa APATIA!
Parece que teremos a continuidade do clássico, mas sem a presença Jeff Daniels infelizmente... Contudo, teremos a presença de um novo partner, que deverá enfatizar o humor escatológico já presente nos primeiros. O futuro parceiro de Carrey já sinalizou que participará da comédia - em tom de farsa -, sobre a idiotia, a ignorância, o non sense de situações absurdas, vistos em sua recente viagem à Itália, onde foi recebido e aclamado por sua trupe.
Carrey ainda não se pronunciou sobre o assunto. Mas seu novo parceiro nessa nova produção já... É sua primeira incursão no cinema, entretanto ele tem tido uma atuação convincente em sua área, o picadeiro, o caricaturismo... Enfim, um discípulo de Pirandelo...
Vamos aguardar... Quem será o nosso "candidato"...
PS. Jeff, na foto, está parecido com o Boris, não!?
- Sei lá... Tem que se jogar dentro das quatro linhas... Não há necessidade de motivos (eu sou o motivo)!
- Como assim... - A pandemia, a inflação, a crise fiscal, o desemprego... É para isso o Conselho ...
- Não há nada disso aqui, está tudo ótimo... - Não posso fazer nada "paizinho", todos me censuram, isto não é liberdade de expressão... Estou distribuindo armas para todos... Poderemos vender as almas dos nossos índios num leilão, e ficaremos ricos... O Renato Russo falou isso naquela música... Como é mesmo o nome ? Isso "paizinho"... "Que País é esse"!
Mas presidente, precisamos de um fato grave... - E a minha frustação, isso não é grave... Estou cercado de patentes, para quê, se... - Não tenho suissas, mas mereço respeito, possuo várias almas na minha esplanada... - Veja como elas se curvam a mim... Sou um mito, "paizinho".
Enquanto isso, em outro salão uma voz ecoa... "impeachment"... Entretanto, a frequência não parece ser a das sereias, além disso falta-lhe a Lira para lhes embalar... Quem sabe, finalmente, o nosso herói pirandélico possa ser atendido em seu desejo... Quem sabe, em seu ato falho...
Por enquanto ressoa algo insano, freak e patético, aquelas palavras...
Bom dia a todos os que porventura lerem este texto, aliás contexto.
Estou voltando do limbo... Estava caminhando pelos círculos infernais ultimamente, povoados de gente perdida na obscuridade das suas encruzilhadas, mas, graças a deus, consegui encontrar uma porta improvável no turbilhão de tantas penas... Meus semelhantes se tornaram zumbis, encalacrados em suas cavernas, nas passagens, nos círculos...
Essa porta que se abriu, foi meu reencontro com Renato Russo, com a Legião. Mais precisamente, uma música que dá nome a este testemunho... Uma coisa inesperada, mas que só a música é capaz (pelo menos para mim) de transportar... Um série de sentimentos que afloram, como raiva, frustração, impotência e estupefação, reviram nossas vísceras e embaçam nossas consciências, e como uma Epifania Whitmaniana encontram aquelas palavras libertadoras.
Meu reencontro com Renato (e com a Legião) foi o elemento que, como um condão, me recolocou de volta na realidade e traduziu ali naquele momento, toda essa mistura de sentimentos. O nome da música, "LA MAISON DIEU"...
Vou lhes contar aqui o início de uma fábula, porque essa música já fala do seu final, hoje...
Há mais de quarenta anos atrás houve em nossa nação um processo de "pacificação"... Uma anistia... Uma remissão histórica... E hoje traíram descaradamente aquelas promessas!
Com vocês LA MAISON DIEU... Ou A ESCURIDÃO...
PS. Esta fábula tem como mote o desfile de carros alegóricos na NOSSA ESPLANADA DOS MINISTÉRIOS. Nós confiamos em vocês e (...) nos traíram, em nome de quê !?
Mississipi. Uma realidade suja, prenhe e mutilada , que nem a mesmo a guerra parece suplantar como contexto... A violência se impõe como linguagem, o seu mundo é assim concebido -, não há o que questionar, não se pode se opor a algo terrífico, uma realidade que precede à própria existência oprimindo-a para uns, negando-a a outros e finalmente suprimindo-a a outros tantos...
É um outro tipo de guerra, uma outra patologia, uma guerra contra o indivíduo, contra a sua unicidade... Os sentidos devem ser combatidos e deformados por dogmas que vicejam na lama das enchentes do Mississipi. Cujos produtos revelam-se nos cânticos dos negros, na sua aculturação e finalmente na sua coisificação, não sem um processo violento, sem nem mesmo qualquer justificativa econômica, material, pois é sistema arcaico baseado na ignorância e na contradição de seus elementos, resultando na conflituosidade radical e bestial como valores de uma cultura da violência que se utiliza da violência (in)diferenciadamente como forma linguagem e nas relações humanas.
Nesse microuniverso, se podemos chamá-lo assim, existe uma plêiade de relações entre os personagens....
171 - Artigo do código penal brasileiro, para contravenção por estelionato. Uma espécie de tabu, afinal ninguém gosta de ter um estelionatário na família - pelo menos, oficialmente. Sem contar as questões de ordem moral - ou amoral - que a "atividade" implica, considerando o estágio do aparelhamento institucional legal desde o final do século XIX para penalização dessas incursões marginais, que foram reprimidas e controladas por normas historicamente emuladas na escala civilizatória das sociedades hodiernas e seu arcabouço jurídico-político, que vai se consolidando massivamente à par de uma sociedade cada vez mais complexa e controlada.
Nos Estados Unidos, é o arquétipo do herói, perseguido e criminalizado pelas instituições oficiais, que plasmam o país -, obsediado por seu poder redentor ... Nós, temos o nosso, com as mesmas ambiguidades, mas o contrário daquele, um anti herói - como Macunaíma, antítese da eugenia...
O tema da série em um país como o nosso é muito rico, pois trata de contradições inerentes às questões éticas, e seus desdobramentos morais nas relações sociais, em todas as suas variantes, em uma sociedade que basicamente se retroalimenta das diferenças baseadas nos valores aparentes - dignos de uma comédia de erros -, e na teoria republicana dos sistemas penais. Isto gera distorções - impunidade e privilégios, por exemplo.
O desenvolvimento da narrativa, mesmo se tratando de uma série semanal, é calcado em um roteiro muito bom, difícil de se ver ... A história e seu texto têm um formato familiar à alma brasileira - que, incrivelmente pouco se vê na teledramaturgia brasileira, despojada dos excessos do artificialismo e dos clichês que delimitam os nossos textos, e ficam na superfície das comédias de costumes estereotipadas.
É difícil situar o seu gênero, algo que transita entre a tragédia e a comédia, mas não se consegue definir como tragicômico, devido à riqueza de sua problemática, que extrapola o indivíduo tratando-o, expõe sua alma e a alma de um país procurando uma identidade, assolado por uma farsa que consome sua energia descaradamente, e expõe problemas de estruturas anacrônicas e instituições viciadas.
Delicioso ver o cinismo de de Moreira e sua trupe, falando da malandragem genuína brasileira, e de suas falas impagáveis sobre assuntos seríssimos, porque são assuntos que já deveriam ter sido resolvidos... Só nos cabe rir da situação com a picardia que ela merece.
Personagens ricos, dramáticos e reais, em toda sua dimensão e sua acidez. Conflitos intestinamente expostos, que são um rolo compressor sobre a hipocrisia, uma reação a esse estado de fragilidade humana, de uma moral falida, de um país insulado em sua própria merda...
Direção de Roberto D'Ávila, cortes inteligentes dos episódios, a química do elenco é muito interessante, passeando fluidamente entre o drama e a comicidade, o enfoque cultural de um microcosmo como o Bexiga, que pelos planos e suas imagens, de alguma forma passei a conhecer... São aspectos a se ressaltar.
Talvez a Universal não tenha percebido a amplitude do subliminar "dos círculos do inferno". A minha impressão é que estamos purgando os nossos pecados, sem contrição...
A Peste Negra que dizimava a Europa trazia consigo um sentimento de impotência. Alguns grupos em Florença - onde se passam os eventos - preferiam se entregar a uma atitude autodestrutiva; outros, preferiam se isolar, vivendo em templos esvaziados. Dissolução e ascetismo pareciam ser as únicas formas de resistência. Destruição x manutenção de valores em uma "terra arrasada", suas novelas retratam situações cotidianas com uma temática de subversão daqueles princípios da Idade Média.
O humanismo dos seus paradoxos morais destilam novas formas de relação, uma delas a decadência da noção de nobreza como um privilégio legitimado, entre outras formas, por razões de origem clericais ou de casta.
Qualquer semelhança com o radicalismo preconceituoso que hoje assola o nosso país, ou a a hipocrisia de quem um dia foi pobre e comprou o seu pedigree, ou a noção de que o dinheiro é a medida de tudo... ou de que status corresponde à sua conta bancária ... e, finalmente de que a corrupção é um privilégio que só os poderosos podem exercer... Ah!, e ainda, de que há um novo clero no "nosso reino", que se alimenta da pestilência dos nossos dias... é mera coincidência.
Penso com meus botões - como diria o Príncipe Galeotto -, em como será o porvir dessa "novela", terra arrasada ou um novo humanismo, livre dos grilhões da nossa velha elite (a Casa Grande) e seus colonizados, em grande parte incrivelmente egressos do que era a antiga senzala - um festim.
Senhores, a sorte está lançada, estão aí os Cunha, os Temer, os Jucá, os novos cardeais e abades da vez, que desfrutam da sua sorte ... e uma casta de seguidores, que se contentam em serem seus sucessores neste reino absurdo, da avareza, da subtração, da violência, da conspiração, da pusilaminidade...
É este o nosso destino, padecer ainda sob os auspícios desta "peste branca".