Voltando à minha subversão. Aparentemente, o argumento do filme é sobre a loucura de um homem que se utiliza todos os seus conhecimentos racionais para copiar um indivíduo, no caso sua infiel esposa. O elemento impactante de que Almodóvar se utiliza no filme, é que o modelo e a cópia são indivíduos de sexos diferentes, isto é, há uma mudança de sexo.
Todavia, o aspecto subversor neste filme está em que Almodóvar deixa entrever a questão moral que se superpõe ... A interrogação: há limites até para o prazer - o limite da patologia, tão bem situado institucionalmente por Foucault.
Pareceu-me ao final, que havia algo de "moralista" no desenlace do filme, algo que pune a pretensão do médico vivido por Banderas de transformar a sexualidade - talvez a utilização que hoje se faz do sexo, da sua banalização.
Imperdível, esse novo Almodóvar, acompanhado novamente por Banderas - que parece ser sua criatura - e a indefectível Marisa Paredes, ícone de sua obra.
Por A.H.Garcia