Assisti também aos dois filmes do "Homem de Ferro". Filmes definitivamente com conteúdos ideológicos evidentes ... embora, tenham se mantido fiel ao espírito "guerra fria" da época. Tecnologia e Poder são o binômio sobre o qual se assentam os filmes, e a nova forma do capitalismo americano. Alcança-se um limite exponencial: até que ponto vai o poder do indivíduo, sob a retórica proposta pelo próprio herói de exercer seu poder em nome do estado.
Qual o significado disso: chegou-se ao nirvana liberal do cidadão-estado ou à culminância de visão totalitária ... me parece que questão deste paradoxo é um velho dilema recorrente da esquizofrenia coletiva da sociedade americana puritana: como em "O médico e o monstro", de R.L. Stevenson, embora este faça uma investigação sobre a natureza humana, ele indaga qual o limite do homem para o bem ou para o mal, duas categorias fundamentais e extremamente totalitárias de se representar a natureza humana.
Recentemente assisti "Capitão América". Na época em que se passava o desenho, nos idos dos anos 60/70, o mais emblemático dos agora "super-heróis" ... ele carregava todo o peso da guerra fria, sofria de delírios, pesadelos, tinha um comportamento esquivo ... parecia dizer, não se meta com isso, ou, às vezes temos que fazer coisas muito graves ... A denominação "Capitão América" se aplicou como uma luva a este "agente-reagente", que representava o sacrifício puritano, a negação de si mesmo em nome do status quo e da ordem universal etc.
O Capitão América do filme é bem mais light ... reflete a fragilidade contemporânea do império americano, e procura talvez uma explicação para si mesmo, no mundo atual.
A última cena do filme traduz isso.
Por A.H.Garcia